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quinta-feira, 18 de abril de 2013

A EDUCAÇÃO ESPARTANA


http://www.brasilescola.com/historiag/a-educacao-espartana.htm

A cultura arcaica de Esparta

A Esparta arcaica é diferente da Esparta do período clássico. Trata-se de uma cidade onde as artes têm um espaço privilegiado, sendo o principal centro cultural da Grécia. Esparta é nessa época, proporcionalmente falando, o que Atenas virá a ser séculos depois.

O princípio homérico do herói cavalheiresco está presente fortemente, mas isto está para mudar.

Militar e cívica

Esparta vai se tornando cada vez mais militar:

Importa, contudo, salientar a evolução, técnica e ética ao mesmo tempo, que se registrara desde a idade média homérica: a educação do cidadão espartano não é mais a de um cavalheiro, mas a de um soldado; insere-se numa atmosfera "política", e não mais senhorial. (p. 35)

Essa mudança tem suas conseqüências:

Na base dessa transformação ocorre uma revolução de ordem técnica: a decisão, no combate, não depende mais de uma série de encontros singulares de cavaleiros apeados de seus carros, mas do choque de duas linhas de infantes em ordem cerrada; a infantaria pesada dos hoplitas é doravante a rainha das batalhas (haverá em Esparta um corpo privilegiado de cavaleiros, mas êstes [...] parecem ter sido uma Polícia secreta de Estado). (p.35)

O ideal do cavalheiro dá lugar ao do soldado:


Vê-se com que energia o nôvo ideal subordina a pessoa humana à coletividade política: a educação es­partana, segundo a feliz fórmula de W. Jaeger, não terá mais por fim selecionar heróis, mas formar uma cidade inteira de heróis - soldados prontos a se devotarem à pátria. (p. 36)

Devoção essa que pode ser visto nas palavras de Tirteu citadas por Morrou: [...] “é belo morrer, abatido na linha de frente, como um bravo que combate pela pátria.”

Esportiva

Tem importância significativa na medida em que através dos esportes os futuros soldados “ensaiam” para as batalhas que virão a enfrentar. Também tem importância por ajudar a manter em forma os soldados nos períodos de paz.

E musical

Ajuda a transmitir e “inculcar” os valores guerreiros.

Educação de estado

Toda essa estrutura de guerra necessita de um processo educativo para ser constituído e o Estado espartano é quem promove esta educação.

Sob sua forma clássica, a educação espartana, [...] conserva o mesmo fim claramente definido: o "adestramento" do hoplita (é a infantaria pesada que havia feito a superioridade militar de Esparta: esta só será vencida depois das ino­vações táticas de Ificrates de Atenas e dos grandes chefes tebanos do quarto século, que superarão seu instrumento de combate). Organizada inteiramente em função das necessidades do Estado, está inteiramente nas mãos dêste. [...] Ser educado segundo as normas, é uma condição necessária, senão suficiente, para o exercício dos direitos cívicos. (p. 41)

A criança permanecia com os pais apenas nos primeiros anos.

Até os sete anos, o Estado consente em delegar seus poderes à família: nas idéias gregas, a educação ainda não começou; até os sete anos, trata-se apenas de "criação" [...]; as mulheres de Esparta eram, nisso, tradicionalmente versadas: as amas lacônias eram bastante procuradas e particularmente apreciadas em Atenas. (p. 41-2)


O trecho a seguir nos dá uma idéia da trajetória que todo indivíduo era levado a fazer:

Ao atingir sete anos, o jovem espartano é requisi­tado pelo Estado: até à morte, pertence-lhe inteira­mente. A educação propriamente dita vai dos sete aos vinte anos; ela é disposta sob a autoridade direta de um magistrado especial, verdadeiro comissário da Educação nacional [...]. A criança é integrada em for­mações juvenis, cujas categorias hierarquizadas apre­sentam alguma analogia com as de nosso escotismo e, mais ainda, com as dos movimentos juvenis dos Estados totalitários de tipo fascista, como a Gioventu fascista ou a Hitlerjugend. A nomenclatura, complicada e pitoresca, que servia para designar a série das classes anuais, inte­ressou os eruditos antigos e, depois dêles, os modernos. (p. 42)

Como podemos verificar na passagem anterior o educador exerce uma função de Estado. Esse educador deve “adestrar” os futuros soldados.

Moral totalitária

O edu­cador espartano procura desenvolver no jovem a resis­tência à dor: impõe-lhe, sobretudo a partir dos doze anos, um regime de vida áspero, no qual a nota de rudeza e de barbárie vai-se acentuando continuamente. (p. 46)

Faz parte desse adestramento um discurso moral que tem por finalidade tornar esses “bárbaros” obedientes ao comando das autoridades, autoridades essas que personificam a pátria.

A educação das moças

Nessa sociedade machista há alguns espaços para a educação das mulheres:

[...] recebiam elas uma formação estritamente regulamentada, na qual a música, a dança e o canto desempenham um papel mais apagado que a ginástica e o esporte. A graça arcaica cede o passo a uma concepção utilitária e crua: como a mulher fascista, a mulher espartana tem o dever de ser antes de tudo uma mãe fecunda em filhos vigo­rosos. Sua educação é subordinada a, esta preocupação de eugenia: procura-se "tirar-lhe a delicadeza e a femi­nilidade", enrijecendo-Ihe o corpo, obrigando-a a exibir-se nua nas festas e nas cerimônias: o objetivo é fazer das virgens espartanas robustas viragos sem complicações sentimentais, que se acasalarão ao melhor dos interêsses da raça... (p. 46)


O presente texto nos apresentou algumas pistas e, também, nos deixou algumas perguntas. Sabemos que o educador é um agente do Estado, numa definição moderna: funcionário público. As questões são: qual era a trajetória para se chegar a condição de educador? Por ser este um funcionário do Estado podemos saber que este é sustentado por este Estado, mas sob que condições? Sobre as condições materiais desse educador também não temos informações.

MORROU, Henri-Irénée. A educação espartana. In: ___. História da educação na antiguidade. São Paulo: EPU, 1975. p. 33-50.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A EDUCAÇÃO HOMÉRICA


http://scienceblogs.com.br/hypercubic/2011/08/o-misterio-da-cegueira-homerica/

Um dos valores da obra homérica está no esclarecimento dos princípios que esta obra “guarda”, que serão importantíssimos para a posteridade. As obras homéricas são Ilíada e Odisséia.

Há em Homero a figura do educador: “A figura típica de educador é a de Quirão, ‘o sapientíssimo centauro’; grande número de lendas parece ter-se apossado de seu nome: ele educou não só Aquiles, mas ainda muitos outros heróis” [...] (p. 23).

É-nos possível verificar como Homero concebe como se deve dar a educação:

Faz-lhes propor, por seus conselheiros, grandes exemplos tirados à gesta legendária, exemplos que devem despertar neles o instinto agonístico, o desejo de rivalizar. Assim Fênix propõe a Aquiles, ao pregar-lhe a conciliação, o exemplo de Meleagro: "É exatamente isto o que nos ensinam os feitos dos antigos heróis... Recordo-me ainda desta gesta [...], uma história bem antiga..." (p. 31)

Também podemos verificar como esses educadores procedem a sua prática educativa:

Para ser ouvido, Fênix julga que deve recordar a Aquiles toda a sua história, num longo discurso cuja prolixidade um tanto senil é bastante instrutiva para nós: Fênix, fugindo à cólera de seu pai (estavam em conflito por causa de uma bela cativa), veio refugiar-se na corte de Peleu, que lhe outorgou um feudo nos Dólcpes. É a este vassalo querido que o rei vai confiar a educação de seu filho [...]: é-lhe entregue bem criança; vemos Fênix tomar Aquiles sobre os joelhos, cortar-lhe carne, fazê-Io comer, beber: ‘E quantas vezes me molhaste, de vinho, a túnica, no penoso tempo da infância!’ (p. 24).

O trecho anterior nos faz notar que os educadores narrados por Homero começavam a educar seus pupilos desde a mais tenra idade. Também podemos verificar que esse processo se estende até a vida adulta:

‘Fui eu quem fez de ti o que tu és!’, declara com orgulho o velho preceptor, pois que sua assistência não se restringira à primeira infância: ainda a ele é confiado Aquiles por ocasião de sua partida para a guerra de Tróia, a fim de que venha em socorro de sua inexperiência. (p. 24)

Num segundo trecho

Nada mais notável que a dupla missão de que Peleu o investira nessa ocasião: ‘Não passavas de uma criança e nada sabias ainda da guerra, que a ninguém poupa, nem das assembléias onde os homens se fazem ilustres. E foi para isso que ele me havia enviado: para ensinar-te a ser, ao mesmo tempo, um bom conselheiro, um bom realizador de façanhas [...]’; fórmula em que se condensa o duplo ideal do perfeito cavalheiro: orador e guerreiro, capaz de prestar a seu suzerano tanto serviço judiciário como serviço de campanha. A Odisséia mostra-nos, da mesma maneira, Atena instruindo Telêmaco sob a inspiração dos exemplos de Mentes ou de Mentor. (p. 24)

            A partir desses relatos podemos identificar o educador, em Homero, como sendo um preceptor, isto é, uma pessoa experiente ensinando um jovem nobre a ser “nobre”, e para eles ser nobre é assumir os valores heróicos:

Encontramos assim, na origem da civilização grega, um tipo de educação nitidamente definido: aquele que o jovem nobre recebia dos conselhos e dos exemplos de um mais velho a quem tinha sido confiado, em vista de sua formação. (p. 24-25)
           
Esse herói tem seus princípios e ações regidas por uma ética cavalheiresca. Essa sociedade cavalheiresca é, antes de tudo, uma sociedade guerreira, portanto a educação tem que se preocupar com a ética e, também, com a técnica. Técnica esta envolve o manejo das armas, esportes e jogos, artes musicais e oratória. O mestre, portanto, tem que atender essas exigências.

Os feitos históricos tinham um papel importantíssimo como podemos verificar:

Da mesma maneira Atena, querendo despertar afinal a vocação heróica nesse meninão irresoluto que é Telêmaco, opõe-lhe o exemplo de decisão viril de Oréstes: ‘Deixa os brinquedos de criança, que não são mais para a tua idade. Vê o renome que entre os humanos conquistou o divino Orestes, quando matou o assassino de seu pai, esse astucioso Egisto!’ O mesmo exemplo aparece ainda três vezes. (p. 32)

Assim Marrou define o segredo da educação homérica: “o exemplo heróico.” (p. 32)
           
Esses princípios nortearam a Grécia não apenas no período arcaico, como também, teve forte influência no período clássico. “O poeta, dirá Platão, ‘cobre de glória miríades de feitos dos antigos e assim faz a educação da posteridade’” [...] (p. 31).

MORROU, Henri-Irénée. A educação homérica. In: ___. História da educação na antiguidade. São Paulo: EPU, 1975. p. 17-32.

terça-feira, 16 de abril de 2013

OS ESCRIBAS ORIENTAIS


http://www.paroquia-smbelem.pt/mdom2011/SMBelem_mdom_2011_10_30.html

Esse texto se refere às civilizações orientais (egípcios, hebreus), minoicos e micênios. Segundo Marrou, (1975) essas sociedades marcadas pelo militarismo vão aos poucos dando espaço e importância aos escribas, que segundo o autor é “[...] aquele que domina os segredos da escrita.” (p. 8) No texto há a divisão de escribas ocidentais e escribas minóicos e mecênios.
           
Quem são os escribas orientais?

Socialmente, o escriba é um funcionário. Põe seu conhecimento da escrita a serviço da administração: administração real, essencialmente, no Egito, administração sacerdotal a princípio ao que parece, na Mesopotânia, mas, logo real também. (MARROU, 1975, p. 9)

Como se dá a formação dos escribas? “Existiam escolas para a formação dos escribas (entre os judeus, a casa de instrução, bê(y)t midh e rach), [...]” (p.10), conforme o livro de Eclesiastes 51, 23: “Aproximai-vos de mim, vós que não tendes instrução, e freqüentai a minha escola” (BÍBLIA. 1995, p. 1177), a nota explicativa desse versículo diz que “escola: casa de instrução”.

Como é o trabalho do mestre na “casa de instrução”? Ele é pago? Se pago, é acessível a que seguimentos da população? O presente texto não nos esclarece essa dúvida.

E os escribas minóicos e micênicos? “A existência desses escribas supõe a existência de uma educação e de escolas para formá-los, mas ainda não descobrimos nenhum documento fidedigno referente a uma ou outras.” (MARROU, 1975, p. 13) Por consequência não há registros referentes a quem eram os mestres.

Provavelmente o surgimento de espaços de alfabetização só veio a começar muito tarde, pois o mais comum era que este conhecimento fosse passado de pai para filho, a fim de perpetuar os membros da família nos almejados postos da administração pública, como nos diz Ponce (2005, p. 27) referindo-se a sociedades que estavam em “transição” entre o “período primitivo” e a antiguidade:

[...] os funcionários, que representavam os interesses comunais costumavam ser eleitos entre os membros da mesma família. Cada ‘organizador’ educa os seus parentes para desempenho de seu cargo e predispunha o resto da comunidade para os elegessem.

Com o surgimento e consolidação do Estado essas eleições foram substituídas pela nomeação para a ocupação desses cargos pelo soberano onde era praxe que o filho ocupasse o mesmo cargo que o pai.
           
O estudo a respeito dos escribas tem a finalidade de fazer menção ao primeiro profissional letrado das civilizações antigas, e este será o por consequência o primeiro “professor” letrado. Aqui fazemos referência ao letramento, pois é essa a função que nossas escolas acabam por exercer predominantemente, a de uma educação para a cultura letrada.

Trata-se de sociedades que começam a se tornar aristocráticas e o monopólio de conhecimentos valiosos como a escrita ocorre para a manutenção do status quo.

Haverá com o passar do tempo (tempos diferentes) e por motivos diversos o ensino da escrita para membros de fora da família em todas as sociedades.

A referência específica aos escribas orientais e aos escribas minóicos e micênios se justifica pelo fato de os primeiros serem próximos aos hebreus e os segundos participarem da formação do povo grego.

BIBLIOGRAFIA:

BÍBLIA. Glossário. Bíblia Sagrada: Tradução Ecumênica. São Paulo: Loyola, 1995, p. 1538-1553.
MORROU, Henri-Irénée. Introdução. In: ___. A história da educação na antiguidade. São Paulo: EPU, 1975, p. 1-14.
PONCE, Aníbal. A educação na comunidade primitiva. In:______. Educação e luta de classes. 21. ed. São Paulo: Cortez, 2005. p. 17-34.

O que Paulo Freire tem a dizer sobre o papel do professor

A reflexão sobre os desafios de ser professor em nosso tempo passa por refletir o nosso papel social. Que indivíduos e que sociedade queremos formar?

Uma reflexão dessa natureza não pode se dar sem buscarmos a contribuição de Paulo Freire. Os vídeos a seguir são um bom ponto de partida:

Paulo Freire Contemporâneo - Parte I

Paulo Freire contemporâneo - Parte II

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A IMPORTÂNCIA DE CONHECERMOS O PASSADO DA PROFISSÃO DOCENTE


http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/debatendo-importancia-historia.htm

A atividade docente vê-se em um momento de tensão frente às mudanças que estão em curso desde meados do século XX com a vertiginosa aceleração dos meios de comunicação tendo como consequência a ampliação e sofisticação dos meios de produção e difusão do conhecimento. Há temores de que o trabalho docente já tão sofrido possa ser ainda mais desprestigiado e, como dizem alguns, até substituído.

Analisar a percurso histórico desta profissão certamente é importante para que possamos avaliar como este seguimento se comportou em relação a mudanças tão significativas ocorridas nestes milênios para que possamos identificar com clareza os pilares que sustentam o presente desta categoria e a partir disso possamos pensar com maior clareza nas possíveis mudanças futuras.

Nossas próximas postagens apresentarão resenhas de diversas leituras feitas ao longo do ano de 2007.

domingo, 14 de abril de 2013

A PROFISSÃO DE PROFESSOR NA CONTEMPORANEIDADE


http://cidfpf.blogspot.com.br/2011/01/imagens-das-sala-de-aula-do-secxx.html

Na segunda metade do século XIX, o processo de constituição independente das ciências humanas com relação à Filosofia e o consequente desenvolvimento da Pedagogia como ciência da educação apresenta maiores exigências para o trabalho do professor no sentido de otimização dos processos de aprendizagem e de democratização da cultura.

No século XX surgem as grandes reformas educacionais, no bojo do progresso científico e tecnológico, ocorrido principalmente após a segunda guerra mundial, exigindo constantes atualizações e revisões do trabalho do professor.

As últimas décadas do século XX e o início do século XXI trazem o fenômeno de internacionalização da economia e globalização da cultura oportunizada pelo desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, especialmente das redes informacionais. O trabalho do professor se vê abalado em suas raízes tanto instrucionais como formadoras, exigindo uma radical transformação do mesmo, enquanto gerenciador e animador dos processos de informação via redes virtuais de circulação de informação. Um trabalho realizado há cinco séculos via material impresso (livros e revistas) passa a ser exigido pelos sistemas informacionais e de educação que seja realizado com o domínio das novas tecnologias de informação e utilização das redes virtuais de circulação do conhecimento. Tal fenômeno exige uma radical transformação do trabalho do professor, no sentido de uma inserção criativa nesse processo de transformação tecnológica.Tal exigência tem resultado numa crise mundial do trabalho do professor, especialmente nos países menos desenvolvidos social e educacionalmente, como é o caso do Brasil, em que tem ocorrido uma progressiva proletarização do professor.

O problema se recoloca, portanto em termos de como enfrentar a crise contemporânea do trabalho do professor e sua adaptação às novas exigências das tecnologias informacionais.

REFERÊNCIAS:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação. 2ed. São Paulo: Moderna, 1996.
CAMBI. Franco. História da pedagogia. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
MANACORDA, Macio Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1996.

sábado, 13 de abril de 2013

DA REFORMA PROTESTANTE A MODERNIDADE


http://www.brasilescola.com/historiag/reforma-protestante.htm

A reforma protestante acentua a liberdade de interpretação das escrituras e a figura do professor e seu trabalho identificado com a tarefa de democratização da cultura, pois deve ser assegurado a todos a aprendizagem da leitura e da escrita e interpretação da bíblia;

Já no Renascimento e Humanismo o trabalho do professor adquire um sentido mais laico e liberal, sendo suas funções exercidas como preceptor das classes privilegiadas com preocupações de transmissão da cultura clássica, mas paralelamente ao trabalho educativo das ordens religiosas o trabalho de professores tanto do ensino da leitura e da escrita como de matemáticas que ofereciam de forma liberal seus serviços de instrução para o povo;

A modernidade traz a exigência do ensino laico e da responsabilidade do Estado com relação à educação; inicialmente essa responsabilidade se apresenta como iniciativa dos soberanos, com caráter paternalista, e, posteriormente com a Revolução Francesa como direito do cidadão e responsabilidade da república. O trabalho do professor vai assumindo as características de um funcionário do Estado,voltado para a realização da formação e instrução do povo (bildung ou formação).

A partir do século XVIII, segundo Habermas (1984), verifica-se uma progressiva pedagogização da cultura, com cada Estado, segundo suas características histórico- culturais, criando seus sistemas de educação com sua legislação própria, sendo o trabalho do professor regido por esse sistema. Apresenta-se então a questão da formação do professor e sua complexa tarefa cognitivo- científica e formadora.

REFERÊNCIAS:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação. 2ed. São Paulo: Moderna, 1996.
CAMBI. Franco. História da pedagogia. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
MANACORDA, Macio Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1996.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

DO IMPÉRIO ROMANO AO FINAL DA IDADE MÉDIA


http://aimagemcomunica.blogspot.com.br/2010/11/os-primeiros-suportes-fisicos.html

O Império Romano se decompõe e a única instituição que sobrevive capaz de dar continuidade a cultura clássica é a Igreja, logo que as escolas públicas mantidas pelo Império deixam de existir as pessoas interessadas em educar seus filhos recorrem a ela. A Igreja num primeiro momento não deseja assumir este papel, mas posteriormente compreende que esta tarefa é importante para seus interesses religiosos e políticos. Os mestres de antes quase que não existem mais, a educação agora é tarefa dos padres nas escolas paroquiais, nos mosteiro ou nos bispados. A atividade de ensino deixa de ser exercida com um caráter profissional, mas sim como parte da tarefa religiosa. Estes novos “professores” são reconhecidos socialmente pelas suas tarefas religiosas, sendo o ensino considerado uma das dimensões destas tarefas. (ARANHA, 1996; MANACORDA, 1992; CAMBI, 1999)

Na passagem da Alta para a Baixa Idade Média bispos e párocos passaram a incumbir um professor para a tarefa de ensinar e por consequência a pagar estes. Alguns professores portando a autorização para o magistério prestarão serviços educacionais a quem lhes pagar. Com o tempo estes professores constituíram um grupo relevante na sociedade (ajudados pela disputa entre a Igreja e as autoridades civis pelo direito de regular a educação). Outro fator importante é a Reforma Protestante que provocará mudanças educacionais. Os professores se organizarão, como os outros profissionais da época, em corporações e passaram a se autorregularem. Do ponto de vista da valorização social e das condições materiais estes profissionais mantêm o mesmo status que tinham na antiguidade (sempre havendo algumas exceções). (Idem)

Quando a conjuntura leva a Europa a uma estabilização, o comércio ganha fôlego e as condições para o Mercantilismo e posterior consolidação do capitalismo. Surge então uma nova classe social, a burguesia, este grupo se tornará rico e poderoso e desejará educar-se, porém estes exigirão uma educação com base em elementos práticos que venham a ajuda-los no desempenho de suas atividades. A educação que ocorria até então terá seus alicerces abalados. O professor, assim como o mestre na oficina, terá que instrumentalizar seus alunos com saberes que possibilitem a estes terem sucesso nos negócios.

Com a consolidação da burguesia como classe dominante (Revolução Americana, Revolução Francesa) e, posteriormente, a consolidação do capitalismo (com a Revolução Industrial) e a conseqüente complexificação da produção que irá exigir do proletário alguns conhecimento para o exercício de sua função surge a escola pública que irá se consolidar.

REFERÊNCIAS:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação. 2ed. São Paulo: Moderna, 1996.
CAMBI. Franco. História da pedagogia. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
MANACORDA, Macio Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1996.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

DOS HEBREUS AO CRISTIANISMO PRIMITIVO


http://www.centroculturaljerusalem.com.br/detalhe_cultura.php?id_cultura=5

A sociedade romana basicamente copia o modelo Grego, as diferenças basicamente são a exclusão das disciplinas cientificas o que torna a vida dos seus respectivos mestres ainda mais difíceis, as disciplinas literárias são ainda mais utilitaristas e há o surgimento do ensino do Direito ao lado da Retórica, Filosofia e Medicina que foram herdadas dos gregos. Alguns retóricos, assim como na Grécia, se tornaram ricos e poderosos, mas no geral as paupérrimas condições de vida e a não valorização social são as mesmas. (MANACORDA, 1992; MARROU, 1975)

Nos primeiros séculos da nossa era há um fenômeno na sociedade romana que é o surgimento, crescimento e fortalecimento de uma nova religião, o cristianismo. Para entender esta nova conjuntura que irá influenciar todo o Ocidente temos que resgatar a história do povo no meio do qual há o surgimento desta nova crença, os Hebreus.

O povo hebreu era que era constituído por tribos itinerantes, depois se afixou e constituiu um império, império este que posteriormente se divide em dois, estes são dominados pelo Império da Babilônia e posteriormente pelo Império Romano, e é esse o período que nos interessa. Com a diáspora a administração pública deixa de existir e o papel da religião na manutenção da unidade do povo se torna ainda maior. Passa-se a ocorrer à educação de todas as crianças a fim de perpetuar os princípios religiosos e não permitir a assimilação cultural do povo. O sacerdote, que é necessariamente um escriba, passa a ter a função de educador. A classe dos escribas aumenta, antão ocorrem aperfeiçoamentos que levam a constituição de níveis superiores que só podem ser alcançados pelos membros das famílias mais ricas. Esses escribas vão constituir partidos religiosos (fariseus e saduceus), doutores da lei (juristas) e alguns vão prestar serviços para as potências dominantes (os cobradores de impostos no período do domínio romano, por exemplo). (GILES, 1987) No inicio do século I um grupo de seguidores de Jesus Cristo, homem que era considerado por estes o Messias anunciado nas escrituras judaicas, passam a pregar sua doutrina em certas cidades da Grécia (Corinto, Éfeso, Tessalonica, atc) e a partir da Grécia se espalha pelo Império Romano, vindo a se constituir religião oficial no século IV e influenciando decididamente toda a civilização grego-romana.  (BÍBLIA, 1995; MANACORDA, 1992; MARROU, 1975)

REFERÊNCIAS:

BÍBLIA. Glossário. Bíblia Sagrada: Tradução Ecumênica. São Paulo: Loyola, 1995, p. 1538-1553.
GILES, Thomas Ransom. A tradição hebraica. In: ___. História da educação. São Paulo: EPU, 1987, p. 44-54.
MANACORDA, Macio Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1996.
MORROU, Henri-Irénée. A história da educação na antiguidade. São Paulo: EPU, 1975.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

DO ORIENTE ANTIGO A GRÉCIA CLÁSSICA


São considerados os primeiros professores os sacerdotes das sociedades “primitivas” que tinham por função instruir os membros da tribo nos mistérios, rituais e valores da sua cultura (PONCE, 1981), mas o nosso foco foi a professor como trabalhador especializado em ensinar (mesmo que não trabalhando exclusivamente nesta função e que não seja remunerado para ela).

Iniciamos nossa “aventura” pela história dos professores analisando rapidamente com os escribas das sociedades orientais onde os egípcios foram tomados como a principal referência a este respeito já que a sociedade foi durante muitos séculos uma das mais importantes sociedades antigas. Os escribas aí tinham por uma das possíveis funções a de exercer o ensino da leitura e da escrita para a formação de outros escribas. Essa função não era a mais comum, pois havia a intenção por parte deles de monopolizar estes conhecimentos já que tratava-se de uma função de muito prestígio social, na maioria dos casos o escriba ensinava apenas os seus filhos com a finalidade de manter o cargo em família (MANACORDA, 1992). Porém, não demos muita atenção a sociedade egípcia, mas a duas sociedades influenciadas por ela e que foram fundantes da tradição Ocidental, os Gregos e os Hebreus.

Dentre os povos que contribuíram para a formação da civilização Grega (fenícios, minóicos, micênios etc) haviam escribas destinados a atividades administrativas e religiosas, mas constituíam um grupo muito reduzido da sociedade e suas atividades educacionais eram quase que “domésticas” (de pai para filho). A civilização grega em seus primeiros séculos de existência desenvolvia atividades ligadas ao militarismo e a constituição de personalidades cavalheirescas, sendo desenvolvidas por preceptores ou pederastas. É a partir do século V que há crescimento econômico que leva ao surgimento de uma nova classe média que desejará dar a seus filhos uma boa educação. Não havendo possibilidade de realizar essa educação pelos maiôs até então realizados surgem homens que se dispõem a dar aulas se pagos, são os sofistas. Os sofistas prestam serviço a quem lhes pagar, são pessoas itinerantes, sempre a busca de alunos, apesar de receberem pelo que fazem normalmente não vivem bem já que nem sempre recebem e sofrem com uma grande concorrência e, por fim, são desprezados pela sociedade que abomina qualquer trabalho que seja remunerado. Com o tempo será desenvolvido um sistema de ensino em três etapas (primário, secundário e superior. Os mestres das disciplinas que compõem o nível primário serão sempre muito mal pagos e desvalorizados socialmente, dos do nível secundário terão condições um pouco melhores (mas não muito) os retóricos que desempenhavam o magistério em nível superior, com raras exceções não viviam de forma não muito diferente. (MANACORDA, 1992; MARROU, 1975) As exceções, como foi dito, são raras mas quando existiam se tratavam de homens que alcançavam muitas honras como Protágora (JEGER, 1995) e Isócrates (MARROU, 1975). Aqui não podemos deixar de lembrar os filósofos que se contrapunham aos sofistas exatamente por estes cobrarem por seu ensino e pela concepção utilitarista do conhecimento, estes eram, normalmente aristocratas que não necessitavam trabalhar para viver. Outra personagem que não pode ser esquecida é o pedagogo que se trata de alguma pessoa culta que foi escravizado por dividas ou por ser prisioneiro de guerra, este tem uma importante função na educação moral das criança. (MANACORDA, 1992; MARROU, 1975)

REFERÊNCIAS:

MORROU, Henri-Irénée. A história da educação na antiguidade. São Paulo: EPU, 1975.
MANACORDA, Macio Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1996.
PONCE, Aníbal. Educação e luta de classes. 21. ed. São Paulo: Cortez, 2005.